O governo federal tem planos ambiciosos para reconfigurar a logística de transporte de grãos e minérios no Pará, com a previsão de leilão de duas ferrovias importantes: a Ferrogrão e a extensão norte da Ferrovia Norte-Sul (FNS). Esses projetos, com investimentos estimados em bilhões de reais, prometem não apenas aumentar a eficiência do transporte, mas também impactar significativamente o desenvolvimento econômico e social do estado.
O que observar agora
A Ferrogrão, com 933 km de extensão entre Sinop (MT) e Itaituba (PA), é um dos projetos mais aguardados. Com um capex estimado em R$ 33,2 bilhões, ela terá a capacidade de transportar 66 milhões de toneladas por ano, principalmente grãos produzidos no Centro-Oeste. O projeto é visto como fundamental para o agronegócio, pois poderá reduzir em 30% o custo do transporte de Mato Grosso ao porto de Miritituba (PA), em relação ao deslocamento pela BR-163. No entanto, a Ferrogrão também enfrenta desafios, especialmente em relação ao impacto ambiental. Grupos ambientalistas e lideranças indígenas questionam o traçado da ferrovia, que percorre áreas ainda não antropizadas, levantando preocupações sobre desmatamento e conflitos fundiários.
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Outro projeto importante é a extensão norte da FNS, que ligará Açailândia (MA) a Barcarena (PA), onde está localizado o Porto de Vila do Conde. Com 530 km de extensão e um capex estimado em R$ 10 bilhões, essa ferrovia terá a capacidade de transportar 30 milhões de toneladas por ano, principalmente minérios, grãos, farelos e óleo de soja e etanol. A expectativa é que essa ferrovia reduza em até 30% os custos logísticos e em mais de 60% as emissões de gases de efeito estufa, contribuindo para uma logística mais eficiente e sustentável. Além disso, a FNS deve percorrer áreas já antropizadas, minimizando os impactos ambientais.
Para o secretário de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia do Pará, Mauro Bastos, esses projetos são fundamentais para o desenvolvimento do estado. Ele acredita que o Pará pode dobrar sua produção agrícola em três anos, ocupando apenas áreas antropizadas, sem avançar sobre a floresta, desde que haja logística eficiente. A expectativa é que a conexão à malha ferroviária nacional possa reduzir custos, ampliar a previsibilidade e melhorar a competitividade, beneficiando tanto o setor agrícola quanto o industrial.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), Alex Dias Carvalho, também vê os projetos com otimismo, destacando a importância da logística para o desenvolvimento econômico. No entanto, ele ressalta a necessidade de uma 'licença social' para a Ferrogrão, ou seja, uma aceitação informal da comunidade, para que o projeto seja viabilizado. Isso inclui a necessidade de convencer a sociedade de que a ferrovia é necessária e gerará benefícios para a coletividade, não apenas para o agronegócio. Carvalho propõe que o governo federal destine o valor integral da outorga da concessão a ações socioambientais na região afetada, superando os recursos vinculados às compensações ambientais necessárias para o licenciamento.

